#066

Quando José Padilha – com acerto – menciona, nesta matéria, o conceito de ‘enunciados declarativos’ citando Quine (Wilard Van Orman Quine, 1908-2000, filósofo estadunidense), chega a um dos bastiões do discurso – seja ele filosófico, político ou organizacional – o ‘statement’ (cujo termo ‘enunciado declarativo’ é a melhor tradução).

E ‘statement’ é, também, a base da comunicação institucional.

É quando o ‘discurso sobre si’ (já me referi – numa entrevista – a esta categoria como sinônimo da ‘fala-do-trono’ dos tempos de El Rey) adquire poder (e responsabilidade) de ser verdade. Ou, pelo, menos, a verdade de quem o emite.

Este é o cerne das relações públicas ‘plenas’ – a concepção de ‘public affairs’ que a Academia – na área de RP – escolheu no Brasil, para muito além do anglo-saxônico ‘public relations’ (PR) – das ‘press relations’ (ou ‘media relations’).

A preocupação para com a verdade (dos fatos), assim como deve pautar o jornalismo profissional, é ‘a’ pauta dos relações-públicas. Foi-se o tempo da ‘contenção’ por meio de ‘releases’ mentirosos ou de meias verdades.

Com a liberdade de expressão e opinião amplificada pela tecnologia hoje disponível a qualquer um – indivíduo ou organismo institucional – é questão de tempo (às vezes medido em segundos) para que um ‘statement’ seja derrubado por fotos, gravações e até escritos publicados que provam ser ‘a verdade’ exatamente o contrário do que se enunciou.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#065

Cinco pontos para a reputação. Ou como garantir o bom nome da empresa e mantê-la atraente para as pessoas.

1 – Preserve a transparência
Em tempos de redes sociais, esconder más notícias ou problemas é inútil.

2 – Fale e escute
A comunicação é uma via de mão dupla: informe, mas também ouça as pessoas.

3 – Seja coerente
Mantenha ‘walk the talk’ nos discurso e nas práticas.

4 – Assuma os erros
Peça desculpas e mostre o que foi feito para que a falta não se repita.

5 – Seja ativo
Identifique as ervas daninhas e tome as devidas atitudes.

Fonte: Você RH – jun/jul 2017 (P. 29)

#064

O que é ética? O que é fazer a ‘coisa certa’?

Ética é a outra face da medalha da transparência. Ética é conduta: agir do mesmo modo – à vista, ou não, de outrem.

Já uma ‘coisa certa’ não existe na realidade – é como uma ideia em Platão, em seu Topos Uranus, onde estão ‘as coisas mesmas’, as essências, sendo o resto (tudo o que vemos, ouvimos, tocamos e sentimos enfim), meras representações (virtuais) do ‘real’.

A diferença, aliás, entre auditoria/ausculta com vistas a transparência e a prática de ‘compliance’ origina-se no mesmo tipo de dualidade.

Transparência é uma coisa – real – exposta, e ‘compliance’ é, tão somente, a aderência de um fazer real a um padrão estabelecido de proceder virtual, teórico, ou seja, a premissa de que existe uma – e apenas uma – ‘coisa certa’ a ser feita. ‘Compliance’, pois, em minha opinião, pode até prevalecer no campo da técnica, mas não no campo do social.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#063

A outra face da medalha da conduta ética é uma transparência ativa – fim último das Relações Públicas Plenas.

4 Rs CompoundRepresentação gráfica do composto de ‘4 Rs’ – ‘Resumo de Relações Públicas Plenas’ (RRPP), de Manoel Marcondes Machado Neto (2015).

Ética é uma questão de conduta que funda-se em instituições e exerce-se no âmbito de organizações por meio de trocas e transações econômicas com o Estado e o mercado e, também, por meio de suas relações internas e externas.

Transparência é uma exigência de toda e qualquer conduta que se pretenda ética e baseia-se no cumprimento a leis civis gerais e na aderência a regulamentos específicos de (1) publicidade legal, e (2) de prestação de contas (contábeis-financeiras).

– Será o bastante?

– Sentimo-nos em um ambiente de organizações transparentes?

– Com certeza, não, pois o que existe é, apenas, uma ‘transparência passiva’, enquanto o ideal seria a adoção de uma conduta proativa de ‘disclosure’, num ‘deliverance’ (declaração expressa) de transparência: uma ‘transparência ativa’.

Qual é o propósito, então, da abordagem de Relações Públicas Plenas?

Agregar as funções da comunicação (3) à busca por transparência perfazendo três instâncias integradas: de publicidade legal, de prestação de contas (contábeis-financeiras), e de comunicação.

Assim, a ‘transparência ativa’ pode ser tida como um sistema de segurança da governança e da cidadania corporativa. Uma demanda atual, não de legisladores e reguladores do mercado de capitais, mas da cidadania – que por transparência clama cada vez mais alto – em relação à conduta, à ética das organizações, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#062

“Reputação é patrimônio. E, como tal, advém ao longo dos anos, dia após dia – desde o primeiro momento de qualquer empreendimento, organização ou instituição. É resultado acumulado das relações e transações quotidianas, as quais se fundamentam, sobremaneira, nas próprias operações e na comunicação dirigida – por veículos e discursos encaminhados a (e mantidos com) cada segmento/’stakeholder’ sensível à governança”.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#061

“O que salta aos olhos na fala de Gary Hamel é a recuperação da importância do diálogo, da conversa e da controvérsia, agora reintroduzida não como elemento conflitante, mas como impulso a um ‘fazer diferente’, matéria-prima da inovação.

A comunicação interpessoal, direta, ‘aproximativa’ – que passou algumas décadas na segunda divisão da Administração – volta a ter relevância.

Nas Relações Públicas, em particular, esse tipo de comunicação sempre teve sua importância relativa, e avançou mais com o surgimento da Auditoria de Opinião – tática baseada em entrevistas (de profundidade, individuais) –, que revalida a ‘experiência’ de cada um como modo de entendimento do mundo (lembremos as técnicas ‘japonesas’ de gestão de pessoas – de genuína interação entre ‘co-laboradores’), ao invés da mera ‘passagem de informação’.

Estritamente no campo da Comunicação Profissional (que deveria unir quem vive da atividade, independente da ‘habilitação’), isso significa apostar na comunicação dirigida, no atendimento individualizado das necessidades de cada um (no trabalho) com o objetivo de extrair a visão única do negócio que cada um representa, obtendo o melhor de cada pessoa engajada numa operação organizacional.

Administrar, no século XXI, requer muito tato”.

Comentário de Marcelo Ficher – relações-públicas, professor e consultor – sobre o livro de Gary Hamel, ‘What matters now’, cujo lançamento motivou esta entrevista do autor à Globo News, disponível no Portal OCI desde 04/06/2013. In MACHADO NETO, Manoel Marcondes. Relações Públicas e Marketing: convergências entre Comunicação e Administração. Rio de Janeiro: Ciência Moderna. 2016. P. 21.

#060

Nenhuma comunicação pode ser tida como excelente se não tem correspondência absoluta com a realidade. Então, relações públicas devem tratar do jeito de ser e estar no mundo das organizações, antes, para que elas possam referir-se ao que existe e não às suas pretensões e planos.

O bem dito e o mal feito não têm lugar na mesma política. Quando assim, o nome não é RP, chamem como preferirem.

Relações Públicas Plenas: coisa para se fazer, não para se dizer.

Marcelo Ficher, relações-públicas, professor e consultor.