#069

Relações Públicas, hoje:

“Nossa especialidade – única – é cuidar, com múltiplas competências, da ‘informação de caráter institucional’, tanto de um ente governamental, como de uma empresa, de uma ONG, ou de um indivíduo que tem/precisa ter – e administrar – uma ‘persona pública’. Para muito além do profissional ‘tarefeiro’ tão criticado por Roberto Porto Simões e, também, do hoje irreal e ortodoxo planejador ‘desenhado’ (já há 30 anos) por Margarida Kunsch”.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

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#068

“Relações Públicas no contexto atual – sobretudo no caso brasileiro – pode-se considerar uma ‘filosofia de gestão’. Dado que – em tempos de internet e redes sociais – as organizações simplesmente resolveram relacionar-se… e em público… a visão holística de ‘Relações Públicas Plenas’ (no Brasil a atividade vai muito além da assessoria ‘de imprensa’ e da gestão de crises de imagem pública) torna-se ‘a’ faceta externa de governança a ser adotada”.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#067

A imprensa pode contribuir para que sua organização obtenha o atributo de credibilidade. Não é o único caminho, mas é um dos mais percebidos pela sociedade. Ela ajuda a construir a ‘admirabilidade’ da marca, porque tem grande influência na opinião pública.

A imprensa jornalística é de grande eficácia na comunicação de uma organização com clientes e com todos os públicos com os quais se relaciona, os ‘stakeholders’. O custo de uma boa assessoria de imprensa é menor do que o de outras ferramentas. Um relacionamento ético e sólido com os jornalistas e com a mídia pode ser a diferença em um momento de crise, entre o declínio e o caminho mais curto para a solução da crise.

Heródoto Barbeiro, jornalista.

#066

Quando José Padilha – com acerto – menciona, nesta matéria, o conceito de ‘enunciados declarativos’ citando Quine (Wilard Van Orman Quine, 1908-2000, filósofo estadunidense), chega a um dos bastiões do discurso – seja ele filosófico, político ou organizacional – o ‘statement’ (cujo termo ‘enunciado declarativo’ é a melhor tradução).

E ‘statement’ é, também, a base da comunicação institucional.

É quando o ‘discurso sobre si’ (já me referi – numa entrevista – a esta categoria como sinônimo da ‘fala-do-trono’ dos tempos de El Rey) adquire poder (e responsabilidade) de ser verdade. Ou, pelo, menos, a verdade de quem o emite.

Este é o cerne das relações públicas ‘plenas’ – a concepção de ‘public affairs’ que a Academia – na área de RP – escolheu no Brasil, para muito além do anglo-saxônico ‘public relations’ (PR) – das ‘press relations’ (ou ‘media relations’).

A preocupação para com a verdade (dos fatos), assim como deve pautar o jornalismo profissional, é ‘a’ pauta dos relações-públicas. Foi-se o tempo da ‘contenção’ por meio de ‘releases’ mentirosos ou de meias verdades.

Com a liberdade de expressão e opinião amplificada pela tecnologia hoje disponível a qualquer um – indivíduo ou organismo institucional – é questão de tempo (às vezes medido em segundos) para que um ‘statement’ seja derrubado por fotos, gravações e até escritos publicados que provam ser ‘a verdade’ exatamente o contrário do que se enunciou.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#065

Cinco pontos para a reputação. Ou como garantir o bom nome da empresa e mantê-la atraente para as pessoas.

1 – Preserve a transparência
Em tempos de redes sociais, esconder más notícias ou problemas é inútil.

2 – Fale e escute
A comunicação é uma via de mão dupla: informe, mas também ouça as pessoas.

3 – Seja coerente
Mantenha ‘walk the talk’ nos discurso e nas práticas.

4 – Assuma os erros
Peça desculpas e mostre o que foi feito para que a falta não se repita.

5 – Seja ativo
Identifique as ervas daninhas e tome as devidas atitudes.

Fonte: Você RH – jun/jul 2017 (P. 29)

#064

O que é ética? O que é fazer a ‘coisa certa’?

Ética é a outra face da medalha da transparência. Ética é conduta: agir do mesmo modo – à vista, ou não, de outrem.

Já uma ‘coisa certa’ não existe na realidade – é como uma ideia em Platão, em seu Topos Uranus, onde estão ‘as coisas mesmas’, as essências, sendo o resto (tudo o que vemos, ouvimos, tocamos e sentimos enfim), meras representações (virtuais) do ‘real’.

A diferença, aliás, entre auditoria/ausculta com vistas a transparência e a prática de ‘compliance’ origina-se no mesmo tipo de dualidade.

Transparência é uma coisa – real – exposta, e ‘compliance’ é, tão somente, a aderência de um fazer real a um padrão estabelecido de proceder virtual, teórico, ou seja, a premissa de que existe uma – e apenas uma – ‘coisa certa’ a ser feita. ‘Compliance’, pois, em minha opinião, pode até prevalecer no campo da técnica, mas não no campo do social.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#063

A outra face da medalha da conduta ética é uma transparência ativa – fim último das Relações Públicas Plenas.

4 Rs CompoundRepresentação gráfica do composto de ‘4 Rs’ – ‘Resumo de Relações Públicas Plenas’ (RRPP), de Manoel Marcondes Machado Neto (2015).

Ética é uma questão de conduta que funda-se em instituições e exerce-se no âmbito de organizações por meio de trocas e transações econômicas com o Estado e o mercado e, também, por meio de suas relações internas e externas.

Transparência é uma exigência de toda e qualquer conduta que se pretenda ética e baseia-se no cumprimento a leis civis gerais e na aderência a regulamentos específicos de (1) publicidade legal, e (2) de prestação de contas (contábeis-financeiras).

– Será o bastante?

– Sentimo-nos em um ambiente de organizações transparentes?

– Com certeza, não, pois o que existe é, apenas, uma ‘transparência passiva’, enquanto o ideal seria a adoção de uma conduta proativa de ‘disclosure’, num ‘deliverance’ (declaração expressa) de transparência: uma ‘transparência ativa’.

Qual é o propósito, então, da abordagem de Relações Públicas Plenas?

Agregar as funções da comunicação (3) à busca por transparência perfazendo três instâncias integradas: de publicidade legal, de prestação de contas (contábeis-financeiras), e de comunicação.

Assim, a ‘transparência ativa’ pode ser tida como um sistema de segurança da governança e da cidadania corporativa. Uma demanda atual, não de legisladores e reguladores do mercado de capitais, mas da cidadania – que por transparência clama cada vez mais alto – em relação à conduta, à ética das organizações, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).