#071

Os colegas jornalistas perderam a noção do que seja equidistância. Seus patrões? Esses nunca o foram.

Os colegas publicitários estão perdidinhos… em meio a algoritmos que não entendem e a uma tal de ‘mídia programática’ que prescinde de humanos – muito menos dos criativos.

O campo – de saber e de fazer – de RP tornou-se a última fronteira da razão e da emoção no campo da Ciência Social aplicada. Eu diria até mais: a única via da salvação dos negócios.

Atividade independente e autônoma, profissão liberal por excelência, RP tem como Norte a busca incessante e inegociável das harmonias possíveis.

E isto demanda, de forma irrecorrível, vocação para mais auscultar que falar, competência para a o estado/fenômeno da alteridade, e habilidade de estabelecer empatia.

Perdeu-se – em currículos absurdos – a relevância do Direito, da Ética, e a prevalência da Psicologia Social, a qual norteou os pioneiros pensadores do campo; Edward Bernays e David Ogilvy.

Lástima!

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#070

O que compreendem as Relações Públicas no Brasil?

No mundo todo, ‘public relations’ (PR) constituem ‘press relations’ ou ‘media relations’.

No Brasil, os estatutos acadêmico e legal da atividade de RP – estabelecidos em 1967 como currículo de bacharelado e norma legal (Lei 5.377) – ampliaram em muito o seu escopo de saber e de fazer, até porque nas relações com a imprensa prevaleceu o compadrio de ex-jornalistas de redação colocados, em claro desvio de função, nos postos-chave da comunicação de empresas estatais e privadas, além de órgãos do terceiro setor, como assessores ‘de imprensa’.

Trata-se, este brasileiríssimo fenômeno, de genuíno jabuticabal – o qual até hoje viceja apesar do evidente conflito de interesses e do tráfico de influência entre ‘coleguinhas’ (termo que os próprios jornalistas usam para designar sua turma), em flagrante de ilícito ‘insider trading’.

​Na Universidade de São Paulo, a pioneira ‘habilitação em RP’ já propunha um currículo holístico voltado à comunicação no âmbito das organizações, com ênfase em disciplinas como Teoria e Pesquisa de Opinião Pública, Planejamento e Produção de Eventos, Mercadologia, Planejamento de Comunicação, Cerimonial e Protocolo, Comunicação Interna e Comunicação Comparada, entre outras. O resto é história… e as estórias de disputa por espaço no mercado de trabalho.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#069

Relações Públicas, hoje:

“Nossa especialidade – única – é cuidar, com múltiplas competências, da ‘informação de caráter institucional’, tanto de um ente governamental, como de uma empresa, de uma ONG, ou de um indivíduo que tem/precisa ter – e administrar – uma ‘persona pública’. Para muito além do profissional ‘tarefeiro’ tão criticado por Roberto Porto Simões e, também, do hoje irreal e ortodoxo planejador ‘desenhado’ (já há 30 anos) por Margarida Kunsch”.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#068

“Relações Públicas no contexto atual – sobretudo no caso brasileiro – pode-se considerar uma ‘filosofia de gestão’. Dado que – em tempos de internet e redes sociais – as organizações simplesmente resolveram relacionar-se… e em público… a visão holística de ‘Relações Públicas Plenas’ (no Brasil a atividade vai muito além da assessoria ‘de imprensa’ e da gestão de crises de imagem pública) torna-se ‘a’ faceta externa de governança a ser adotada”.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#067

A imprensa pode contribuir para que sua organização obtenha o atributo de credibilidade. Não é o único caminho, mas é um dos mais percebidos pela sociedade. Ela ajuda a construir a ‘admirabilidade’ da marca, porque tem grande influência na opinião pública.

A imprensa jornalística é de grande eficácia na comunicação de uma organização com clientes e com todos os públicos com os quais se relaciona, os ‘stakeholders’. O custo de uma boa assessoria de imprensa é menor do que o de outras ferramentas. Um relacionamento ético e sólido com os jornalistas e com a mídia pode ser a diferença em um momento de crise, entre o declínio e o caminho mais curto para a solução da crise.

Heródoto Barbeiro, jornalista.

#066

Quando José Padilha – com acerto – menciona, nesta matéria, o conceito de ‘enunciados declarativos’ citando Quine (Wilard Van Orman Quine, 1908-2000, filósofo estadunidense), chega a um dos bastiões do discurso – seja ele filosófico, político ou organizacional – o ‘statement’ (cujo termo ‘enunciado declarativo’ é a melhor tradução).

E ‘statement’ é, também, a base da comunicação institucional.

É quando o ‘discurso sobre si’ (já me referi – numa entrevista – a esta categoria como sinônimo da ‘fala-do-trono’ dos tempos de El Rey) adquire poder (e responsabilidade) de ser verdade. Ou, pelo, menos, a verdade de quem o emite.

Este é o cerne das relações públicas ‘plenas’ – a concepção de ‘public affairs’ que a Academia – na área de RP – escolheu no Brasil, para muito além do anglo-saxônico ‘public relations’ (PR) – das ‘press relations’ (ou ‘media relations’).

A preocupação para com a verdade (dos fatos), assim como deve pautar o jornalismo profissional, é ‘a’ pauta dos relações-públicas. Foi-se o tempo da ‘contenção’ por meio de ‘releases’ mentirosos ou de meias verdades.

Com a liberdade de expressão e opinião amplificada pela tecnologia hoje disponível a qualquer um – indivíduo ou organismo institucional – é questão de tempo (às vezes medido em segundos) para que um ‘statement’ seja derrubado por fotos, gravações e até escritos publicados que provam ser ‘a verdade’ exatamente o contrário do que se enunciou.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#065

Cinco pontos para a reputação. Ou como garantir o bom nome da empresa e mantê-la atraente para as pessoas.

1 – Preserve a transparência
Em tempos de redes sociais, esconder más notícias ou problemas é inútil.

2 – Fale e escute
A comunicação é uma via de mão dupla: informe, mas também ouça as pessoas.

3 – Seja coerente
Mantenha ‘walk the talk’ nos discurso e nas práticas.

4 – Assuma os erros
Peça desculpas e mostre o que foi feito para que a falta não se repita.

5 – Seja ativo
Identifique as ervas daninhas e tome as devidas atitudes.

Fonte: Você RH – jun/jul 2017 (P. 29)