#063

A outra face da medalha da conduta ética é uma transparência ativa – fim último das Relações Públicas Plenas.

4 Rs CompoundRepresentação gráfica do composto de ‘4 Rs’ – ‘Resumo de Relações Públicas Plenas’ (RRPP), de Manoel Marcondes Machado Neto (2015).

Ética é uma questão de conduta que funda-se em instituições e exerce-se no âmbito de organizações por meio de trocas e transações econômicas com o Estado e o mercado e, também, por meio de suas relações internas e externas.

Transparência é uma exigência de toda e qualquer conduta que se pretenda ética e baseia-se no cumprimento a leis civis gerais e na aderência a regulamentos específicos de (1) publicidade legal, e (2) de prestação de contas (contábeis-financeiras).

– Será o bastante?

– Sentimo-nos em um ambiente de organizações transparentes?

– Com certeza, não, pois o que existe é, apenas, uma ‘transparência passiva’, enquanto o ideal seria a adoção de uma conduta proativa de ‘disclosure’, num ‘deliverance’ (declaração expressa) de transparência: uma ‘transparência ativa’.

Qual é o propósito, então, da abordagem de Relações Públicas Plenas?

Agregar as funções da comunicação (3) à busca por transparência perfazendo três instâncias integradas: de publicidade legal, de prestação de contas (contábeis-financeiras), e de comunicação.

Assim, a ‘transparência ativa’ pode ser tida como um sistema de segurança da governança e da cidadania corporativa. Uma demanda atual, não de legisladores e reguladores do mercado de capitais, mas da cidadania – que por transparência clama cada vez mais alto – em relação à conduta, à ética das organizações, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

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#062

“Reputação é patrimônio. E, como tal, advém ao longo dos anos, dia após dia – desde o primeiro momento de qualquer empreendimento, organização ou instituição. É resultado acumulado das relações e transações quotidianas, as quais se fundamentam, sobremaneira, nas próprias operações e na comunicação dirigida – por veículos e discursos encaminhados a (e mantidos com) cada segmento/’stakeholder’ sensível à governança”.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#061

“O que salta aos olhos na fala de Gary Hamel é a recuperação da importância do diálogo, da conversa e da controvérsia, agora reintroduzida não como elemento conflitante, mas como impulso a um ‘fazer diferente’, matéria-prima da inovação.

A comunicação interpessoal, direta, ‘aproximativa’ – que passou algumas décadas na segunda divisão da Administração – volta a ter relevância.

Nas Relações Públicas, em particular, esse tipo de comunicação sempre teve sua importância relativa, e avançou mais com o surgimento da Auditoria de Opinião – tática baseada em entrevistas (de profundidade, individuais) –, que revalida a ‘experiência’ de cada um como modo de entendimento do mundo (lembremos as técnicas ‘japonesas’ de gestão de pessoas – de genuína interação entre ‘co-laboradores’), ao invés da mera ‘passagem de informação’.

Estritamente no campo da Comunicação Profissional (que deveria unir quem vive da atividade, independente da ‘habilitação’), isso significa apostar na comunicação dirigida, no atendimento individualizado das necessidades de cada um (no trabalho) com o objetivo de extrair a visão única do negócio que cada um representa, obtendo o melhor de cada pessoa engajada numa operação organizacional.

Administrar, no século XXI, requer muito tato”.

Comentário de Marcelo Ficher – relações-públicas, professor e consultor – sobre o livro de Gary Hamel, ‘What matters now’, cujo lançamento motivou esta entrevista do autor à Globo News, disponível no Portal OCI desde 04/06/2013. In MACHADO NETO, Manoel Marcondes. Relações Públicas e Marketing: convergências entre Comunicação e Administração. Rio de Janeiro: Ciência Moderna. 2016. P. 21.

#060

Nenhuma comunicação pode ser tida como excelente se não tem correspondência absoluta com a realidade. Então, relações públicas devem tratar do jeito de ser e estar no mundo das organizações, antes, para que elas possam referir-se ao que existe e não às suas pretensões e planos.

O bem dito e o mal feito não têm lugar na mesma política. Quando assim, o nome não é RP, chamem como preferirem.

Relações Públicas Plenas: coisa para se fazer, não para se dizer.

Marcelo Ficher, relações-públicas, professor e consultor.

#059

Se existe uma disciplina Filosofia das Relações Públicas, sua ementa está explicitada no texto #058, que a este antecede.

O Observatório da Comunicação Institucional pratica esta essência e seu autor a provou em dissertação de mestrado defendida na área da Educação, na Universidade Federal Fluminense.

As Relações Públicas brasileiras forjaram-se fora do contexto da Propaganda (Advertising) e, mesmo, da Publicidade (Publicity). O que inspirou nossos patronos foram iniciativas corajosas de empoderamento da cidadania, tanto no chão de fábrica quanto na criação da ABRP (1954) – que originou o Sistema Conferp-Conrerp, este também provendo uma legislação de salvaguarda dos públicos, dos cidadãos.

Cidadania Empresarial não é uma expressão da Administração (nos anos 1990), mas, sim, de Relações Públicas – que remonta a bem antes – com Bertrand Canfield, nos anos 1950.

Se no Brasil podemos nos dar ao luxo de ter duas mamães para as Relações Públicas; Margarida Kunsch (na academia) e Vera Giangrande (no mercado), no mundo a área pode gabar-se de ter dois papais: o estadunidense Ivy Lee (ex-jornalista que colocou seu talento a serviço de empresas, e o sueco Eric Carlson, que veio formar a primeira turma brasileira de errepês, em 1953, na Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas, trazendo na bagagem cultural o pensamento do ‘ombudsman’ essencial.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).

#058

A regulamentação da profissão de RP, datada de 11 de dezembro de 1967, coloca a atividade no reduzido rol das profissões submetidas a um Código de Conduta Ética e que, por suas atribuições especificadas em lei, exige Responsabilidade Técnica (RT) para o seu exercício.

Tudo que foi deixado ao sabor do mercado, no campo do trabalho, degradou as condições dos trabalhadores. Tudo que foi desregulamentado em favor das empresas apodreceu o que existia.

O capital pode ser privado, mas toda empresa tem que ser pública, desde que as consequências de suas atividades econômicas não se restringem aos seus domínios particulares. E sua comunicação deveria estar mais perto do que a população precisa saber do que das histórias que organizações preferem contar.

Utópico seria acreditar que o farão – contar o que se precisa saber – de livre e espontânea vontade, no modo de consciência planetária. Não, não vão. As mais recentes revelações mostram que apenas por imposição as corporações darão satisfação plena à sociedade, com fiscalização e responsabilização (ética e técnica) de seus executores.

Mentir e enganar a população pode não ser crime, mas é uma espécie de lavagem.

Quando você é melhor que a sua imagem revela, você tem um problema de comunicação. Quando você é pior que a sua imagem revela, seu problema é de caráter.

Marcelo Ficher, relações-públicas, professor e consultor.

#057

Em tempos de internet e de redes sociais, as organizações resolveram (pois tiveram que), simplesmente… relacionar-se… e publicamente.

A visão de Relações Públicas no Brasil, desde a criação dos primeiros cursos de graduação e da regulamentação da profissão (ambos fatos do final da década de 1960), é singela e distinta em relação ao que se pesquisa, se ensina e se pratica no mundo.

Por conta dessa diferença é que é – ainda – tão penoso colher pleno entendimento do que possa ser a ampla contribuição do conjunto de atividades que compõe o campo para a governança (para muito além de meras ‘media ou press relations’ do PR global), embora os gestores, hoje, já tenham entendido completamente a pertinência de nossas ofertas em termos de habilidades e competências em relação às suas demandas presentes. Nunca, antes, o campo da gestão olhou com tanto interesse para o campo da comunicação – e, para além da obviedade do papel de jornalistas e publicitários – captando a presença de um perfil mais holístico, ‘integrado’ desde sempre: o relações-públicas.

O profissional de RP que se preconiza (e forma) no Brasil (embora, talvez algumas Instituições de Ensino Superior não consigam ‘entregar’ o perfil ideal, transdisciplinar, infelizmente), tem uma visão privilegiada do outro, num exercitar radical da alteridade – uma ‘funcionalidade’ absolutamente presente no relacionamento institucional inter-organizações e entre organizações e seus ‘stakeholders’, atualmente.

Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas (desde 1981) e professor (desde 1985).